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Sweet Stuff

"Who in the world am I? Ah, that's the great puzzle!"

O pseudo-intelectual

Entra na sala sempre um quarto de hora atrasado, porque é de extrema importância  todos notarem que a vedeta chegou.

Possui uma barba comprida, farfalhuda e confusa, não chega a fazer inveja ao Pai Natal mas está já incluída na categoria "António Variações". Usa óculos pois claro, não sofre de miopia, astigmatismo ou de qualquer outra patologia visual mas as suas lunettes são lhe imprescindíveis para o exercício de pseudo-filosofar e citar fontes duvidosas durante o discurso.

O pseudo-intelectual acha-se sempre no direito de interromper os restantes mortais de cabeça vazia que nada de rico têm a acrescentar à discussão. Ele é também muito mais interessante, muito mais culto, muito mais muito. O seu tempo de antena estende-se e extrapola os limites do que achávamos ser possível. Mas nós desculpamos, porque é um privilégio ouvir o pseudo-intelectual a fazer o que ele sabe fazer melhor: pseudo-intelectualizar.

Parafraseia Platão, Nietzche, Churchill e até Gandhi. Nunca leu Tolstoi mas possui um exemplar do Guerra e Paz a embelezar a estante da sala. Quando quer dar o ar de sua graça, lá lança um piada que nem ele próprio entende para acabar a rir sozinho, um riso de velhota que se engasgou e tosse baixinho.

O pseudo-intelectual NÃO é uma espécie em vias de extinção. É fácil topá-lo, pelo estilo pseudo-pomposo de falar, o raciocínio que não é seu, e o riso de conferência que é mais triste que a própria anedota.

E ele lá continua na sua vida, pensando ser o supra-sumo da existência humana, um génio incompreendido que ficou encalhado numa sociedade horrível e desprezável que nada tem de bom.

O que o pseudo-intelectual se esquece é que a sociedade é já melhor por o ter a ele! Esse ser tão dotado, capaz de memorizar as citações mais ridículas para impressionar a miúda que nunca lhe liga nenhuma e lhe repugna a arrogância.

Se conhecem pseudo-intelectuais, não se coíbem de os tratar como tal! É para eles uma alegria alguém reconhecer  os seus vastos talentos e lhes atribuir tão honroso título. Afinal de contas, o pseudo-intelectual muito se esforçou para construir esta máscara que o faz mover-se agilmente na vida social excepto quando alguém lhe prega uma rasteira e ele gagueja um pouco.

Se conhecem pseudo-intelectuais experimentem tratá-los como tal.

E fiquem com a certeza de que eles terão algo de extreeemamente interessante a dizer sobre o assunto.

 

 

 

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ABOUT ME

Sonhadora a tempo inteiro & blogger em part-time. Adora livros, antiguidades e flores na cabeça. Escreve textos pseudo-românticos quando está para aí virada. É fã de dançar ballet na cozinha e cantar no chuveiro. O seu pé direito insiste em ser torto e não há como o emendar. Nunca diz que não a uma chávena de chá.
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