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Sweet Stuff

"Who in the world am I? Ah, that's the great puzzle!"

Ode à princesa que ontem fui

Nem tudo são rosas no jardim e borboletas na barriga.

Às vezes também ando com as unhas lascadas de verniz e, sim, às vezes também me cai a coroa da cabeça.

É verdade que por vezes não me apetece levantar. Às vezes caio no chavão – faz o que eu digo não faças o que eu faço – fico deitada ali, não me dês a mão, hoje vou ser egoísta e dizer que nada vale a pena, nem tu que és tudo o que tenho e o melhor de todas as coisas que se vão embora neste Mundo.

 

Hoje vou olhar para as estrelas.

Estão desfocadas e eu esqueci-me de colocar os óculos. E fico um pouco desajeitada porque quando caio em mim até que precisava dessa mão amiga. Engulo o orgulho e procuro o conforto de um abraço. E bem, às vezes nem sempre estás lá. Na verdade, às vezes não está lá ninguém.

 

Mas olha nem faz mal, a sério que não é nada de grave, já sabes a sequência de cor qual equação matemática.

Como uma Cinderela sem sapatinho arrasto-me em lamentos, dando pontapés à coroa que permanece no chão. Cabelo despenteado e sorriso sórdido nos lábios, perco-me na leitura e na música apropriada para estes momentos – aquele jazz que me faz chorar. Danço um slow no chão da cozinha porque também me quero sentir uma estrela de cinema. Falta-me o cálice de vinho para completar a figura, pena nunca ter sido fã do licor dos deuses, ajudava a entrar na personagem. Mas quem quero eu enganar, tu não engano de certeza, sabes como sou personificação da loucura e daqueles dramas dos bons sem precisar da embriaguez a acompanhar-me.

 

Aceitando a minha polaridade pentagonal elevada ao quadrado pego na velha bicicleta de infância e treino embrenhar-me nos caminhos de outros tempos. Já não possuo os joelhos de outrora que me fariam evitar a queda ridícula que acabou de acontecer. Era diferente se estivesses aqui. Ao saberes que tinha chocado contra um veículo estacionado irias-te rir na minha cara e eu acompanhava a gargalhada dada a minha triste figura. Sem as tuas sardas bonitas por perto fica só aquele riso nervoso que antecipa a solidão e me lembra que já não tenho sete anos e abrir o joelho no alcatrão não é nada encantador.

 

Volto para casa e deito o capacete para cima da cama, levo sempre capacete porque a minha avó dizia que devíamos manter a cabeça no sítio e eu achava que aquele objecto semelhante ao dos astronautas poderia ajudar. Sem a ajuda do capacete lunar, por muito irónico que pareça, estou sempre nas nuvens, flutuando, e, de vez em quando, cabelo emaranhado, calças de ganga para aquele ar de não quero nada contigo, flores no cabelo porque é feminino e eu gosto de me lembrar que um dia fui uma criança, volto a conseguir sorrir de mim mesma. E ainda que já não estejas aqui levanto-me do chão e volto-me a deitar, para me levantar novamente e mostrar a mim mesma como pode ser fácil.

 

Quase sem reparar volto a ser uma princesa, quem sabe um dia ainda seja a rainha do teu reino. Desculpa meu amor devia ter aceitado que entrelaçasses a tua mão e me puxasses para cima. Como que numa miragem vejo-te a rebolar na areia e sorrio. Olho para a água e admiro o meu reflexo. Uma coroa ergue-se na minha delicada cabeça.

 

*Yay um viva à inspiração (que me surgiu ao olhar para as minhas unhas lascadas de verniz)*

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ABOUT ME

Sonhadora a tempo inteiro & blogger em part-time. Adora livros, antiguidades e flores na cabeça. Escreve textos pseudo-românticos quando está para aí virada. É fã de dançar ballet na cozinha e cantar no chuveiro. O seu pé direito insiste em ser torto e não há como o emendar. Nunca diz que não a uma chávena de chá.
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