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Sweet Stuff

"Who in the world am I? Ah, that's the great puzzle!"

Cinco colecções de Clássicos da Literatura

O post de hoje é direccionado a todos aqueles que adoram ler e que adoram livros bonitos. Há já algum tempo que um dos meus objectivos tem sido ler mais clássicos e estas colecções, de tão bonitas que são, só nos motivam mais não é?

Colecção Leatherbound da Barnes and Noble

 

barnes and noble leatherbound classicsss
 

 

Colecção Puffin Chalk

puffin in chalk
 
 
 Colecção Puffin Classics
puffin classics

 

Colecção Penguin Threads
 
penguin threads
 
Colecção Puffin in Bloom 
puffin in bloom
 
 
Coleccionam clássicos? De que colecção gostaram mais?

 

O problema das traduções

Há uns tempos atrás fiz uma limpeza cá por casa e desfiz-me de alguns livros que já não queria e/ou precisava. Um deles foi a Crónica do Pássaro de Corda de Haruki Murakami, célebre escritor japonês muito conhecido no Ocidente. Tentei ler este livro duas vezes e não passei da página 50 (tendo em conta que tem mais de 600 não é grande coisa). Não consegui entender por que é que não conseguia prosseguir com a leitura, se já tinha lido outro livro do autor e tinha gostado.

 

Vão vocês dizer "ah mas cada livro é um livro" e é verdade, podia ser o enredo em si que não achava apelativo, mas o problema era mesmo a escrita, não me parecia natural. Pelo título do post já devem ter adivinhado do que é que vim falar: traduções. Todos nós sabemos que uma tradução nunca equivale à experiência de ler o livro no original. No entanto, não sendo poliglota (acho que a maioria de nós não é), se um livro não tiver sido originalmente escrito numa língua que domine, escolho, na maioria das vezes, lê-lo traduzido para Português. 

 

Foi isso que fiz com o livro de Murakami e aconteceu-me aquilo de que vos falei em cima. Como sei que o problema era a tradução? O outro livro que tinha lido do autor era uma tradução inglesa (aprovada e revista pelo próprio) e consistia numa tradução directa do Japonês. A tradução portuguesa, como depois verifiquei, é uma tradução da versão inglesa. Sim, isso mesmo, uma tradução de uma tradução.

 

Antigamente não prestava atenção a estas coisas. Como leitora ingénua julgava que todas as traduções eram directas, mas, de facto, não o são. Autores russos por exemplo, só leio na tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra. Não sou perita alguma nestes assuntos e não quero apontar o dedo a ninguém, mas deixo aqui este alerta para, caso já tenham passado pelo mesmo que eu, não entrarem em pânico. O problema pode não estar no autor, mas sim na tradução. 

Dos livros que salvam vidas

Em 2015 li o The Silver Linings Playbook de Matthew Quick, Na altura, cheguei a fazer uma review aqui no blog e no goodreads sobre como o livro me tocou de uma forma profunda. Hoje, após ler o post da Graziela, pus-me a pensar novamente na importância que a arte tem e na relevância da literatura enquanto forma criadora de empatia, mas também, de salva-vidas.

 

Em entrevistas de emprego digo sempre que o meu maior defeito é o perfeccionismo. Normalmente os empregadores riem-se, julgam que quero ser delicada e utilizar uma resposta "chapa cinco" (desculpem eu sempre ouvi a expressão assim, nem 3 nem 4, mas 5) em vez de referir problemas "a sério". Mas acontece que a obsessão com o perfeccionismo é um problema. Não só na vida laboral (em que, em pouco tempo, nos tornamos em workaholics fora de controlo) como na vida pessoal também. 

 

Este post parece não ser sobre nada, mas já lá chego. Falei de livros e de perfeccionismo. O perfeccionismo é um problema grave - ou, pelo menos na minha vida tem sido - porque é uma ilusão. Toda a gente comete erros. Qual o discente que não entregou a tese sem uma única gralha, ainda que tenha passado horas, dias e semanas a rever o seu trabalho? Qual o condutor que nunca passou num semáforo vermelho por não conseguir travar a tempo? Frases feitas como "ninguém é perfeito" nunca surtiram qualquer efeito em mim e, até hoje, esta ideia de ter de ser perfeita é algo contra o qual luto. Durante este processo, os livros ajudaram-me muito. 

 

Há dois anos, quando tentei explicar aos meus familiares e amigos o que se estava a passar comigo, ninguém me conseguiu entender. Aliás, tudo o que eu dizia parecia soar de forma errada, como se a minha voz estivesse distorcida, tal como num testemunho televisivo. Nunca tinha dado um nome àquilo que estava a sentir (ansiedade, depressão, fosse o que fosse), porque nunca me tinha acontecido nada de grave na vida. Não passava fome, situação financeira estável, ninguém próximo tinha falecido ou estava adoentado, então por que é que eu não estava bem?

 

Ler o diário de Pat e a sua jornada para encontrar o seu final feliz fez-me perceber que as coisas na minha vida (e na minha cabeça) não estavam bem, mas iam melhorar. Sim não sou perfeita, nem nunca vou ser, vou magoar os outros inconscientemente e não preciso de me sentir culpada por isso. Foi uma epifania. Não possuía nenhum exemplo na vida real de alguém que estivesse a passar pelo mesmo, até porque, como já se sabe, falar sobre saúde mental ainda é um tabu. Mesmo assim, ter um "amigo fictício ", com o qual me consegui identificar, confortou-me e ajudou-me a seguir em frente. 

 

Também já aqui falei do Franny and Zooey do Salinger e de como a frase "I am sick of not having the courage to be an absolute nobody" resume tudo aquilo que senti nessa fase, em que colocava pressão em mim mesma para ser perfeita em todas as facetas da minha vida. A filha perfeita, a amiga perfeita, a profissional perfeita. Quis realmente ser uma "zé-ninguém", não ter responsabilidades, não ter de responder a nada, não ter um estatuto ou gerar expectativas. Quis desaparecer.

 

A Franny, o Pat e tantos outros foram meus amigos. Os livros são amigos. Os livros são valiosos, não só porque nos ajudam a criar empatia por alguém em circunstâncias completamente distintas das nossas, como também funcionam como um reflexo daquilo que somos, ou vamos sendo ao longo da vida. Encontramos em papel (ou no ecrã de um e-reader) uma descrição detalhada dos nossos sentimentos, angústias, alegrias e paixões. E também a motivação necessária para ouvir os sábios conselhos que as páginas gentilmente nos sussurram: Vai correr tudo bem. 

 

Imagem de book, read, and quote

Alice's Adventures Underground | Lewis Carroll

Hoje trago-vos uma opinião sobre o manuscrito original que, mais tarde, deu origem à história que conhecemos como Alice no País das Maravilhas. É um livro interessante para quem é fã da Alice, mas para aqueles que nunca leram o livro, não sei se recomendaria Alice's Adventures Underground.

 

Foto retirada daqui.

Basicamente esta é a mesma história, mas numa versão mais curta, sem várias das personagens que mais tarde figuram no texto publicado, tais como o Chapeleiro Louco, a Lebre de Março, o Gato de Cheshire, etc. A edição que possuo tem uma introdução que explica logo à partida as personagens que não figuram na história, por isso este aspecto não foi, para mim, uma surpresa. 

Gostei da introdução que está bastante completa e explica ao leitor o processo de publicação da obra, a razão do seu sucesso instantâneo e a transição entre este manuscrito e o trabalho final. As ilustrações de Santore são belíssimas, mantendo o traço clássico da ilustração a preto e branco detalhada de Tenniel.

Apesar de gostar mais da obra final, achei esta leitura muito interessante, pois estava constantemente a comparar os dois livros na minha cabeça. "You are Old Father William", o meu poema preferido da obra, já existia no manuscrito original, o que me deixou muito muito feliz ao lê-lo.

Classificação final: 4 estrelas

Novo na estante | Little Women

Recebi este menino lindo em Junho e não podia deixar de vos mostrar algumas fotografias.

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*Quando o teu livro combina com o teu outfit ;)*

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O livro faz parte da colecção "Puffin in Bloom". Os outros títulos são Heidi, Anne of Green Gables e A Little Princess.

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Antes da primeira e depois da última página vem com estas ilustrações que estão relacionadas com a história.

in bloom.JPG

Estou agora a lê-lo e estou a gostar bastante. Outra coisa que me agradou muito nesta colecção é que todos os livros são escritos por mulheres e têm temas de "coming-of-age", tratam, de alguma forma da mudança e do crescimento das personagens principais que, em todas as obras da colecção, são personagens femininas.

Já alguém aqui leu Mulherzinhas?

ABOUT ME

Sonhadora a tempo inteiro & blogger em part-time. Adora livros, antiguidades e flores na cabeça. Escreve textos pseudo-românticos quando está para aí virada. É fã de dançar ballet na cozinha e cantar no chuveiro. O seu pé direito insiste em ser torto e não há como o emendar. Nunca diz que não a uma chávena de chá.
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