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Sweet Stuff

Neste blog fala-se sobre livros, escrita criativa, ballet para adultos e muito mais.

Regina Spektor ou o que é ser poeta afinal?

Lembro-me de, uma vez, um professor da faculdade perguntar à nossa turma quantos de nós comprávamos livros de poesia. Se me recordo com exactidão, só um ou dois gatos pingados é que colocaram a mão no ar. Com um ar muito resoluto o professor concluiu que a poesia estava a morrer e que a prosa era definitivamente o género literário mais popular entre os jovens. Será que é mesmo assim?

 

Ora vejamos, qual é o adolescente de hoje em dia que não ouve música? Poucos certo? Eu, pelo menos, estou sempre a encontrar miudos no autocarro de auscultadores nos ouvidos. Na minha opinião, existem vários músicos hoje em dia que são autênticos poetas. As suas letras estão repletas de sentimento e movem multidões. É claro que há quem seja mais purista quanto às definições, mas para mim estes dois hemisférios (poesia no papel e poesia cantada) tocam-se.

 

Exemplos? Os Trovante e a belíssima versão de Ser Poeta da Florbela Espanca. Eu admito que já nem consigo ler aquilo sem ser com o ritmo dos Trovante. Ah e tal, mas não foram eles que escreveram. Ok, então e Leonard Cohen? Brilhante tanto como compositor, como enquanto cantor.

 

O meu exemplo mais recente é Regina Spektor (sim sou uma mega fã assumida). Tenho ouvido o último álbum da Regina em loop,nos últimos tempos e, de facto, considero as letras de Remember Us to Life como poemas tão belos como outros de autores imortalizados em papel.

 

A verdade é que, a definição do que é poesia tem-se alterado muito rapidamente nos últimos anos. Bob Dylan foi Prémio Nobel da Literatura em 2016 e os livros de Rupi Kaur figuram nos tops de venda em todo o mundo. Se ainda gosto de ler poesia? Claro que sim. Mas, esta forma de reconsiderar compositores e músicos como "tão poetas" como os "poetas tradicionais" não me parece algo assim tão descabido.

 

De certa forma, Regina Spektor, e outros artistas, são pessoas que têm o potencial de se tornarem numa espécie de "profetas" para os jovens e adultos de hoje. Porquê? Pois são eles que conseguem encapsular num simples verso de uma canção tudo aquilo que nós temos cá dentro e não sabemos como expressar.

E que dom é este, senão o de um poeta?

Falemos sobre Livros de Colorir

Venho atrasada para a festa, porque os livros de colorir para adultos já estão entre nós (leia-se portugueses) há algum tempo. Ainda assim, não queria deixa de dar o meu parecer sobre esta moda que uns acham fantástica e outros ridícula.

 

A verdade é que, quem se lembrou de criar este tipo de livros, não descobriu nada de novo. Não é preciso ser um génio para perceber que pintar é, efectivamente, uma actividade relaxante. Quem é leitor veterano aqui do blog, se calhar, até se lembra que durante sete anos frequentei aulas de pintura e posso garantir, com toda a certeza, que estar sentada a pintar, era algo de terapêutico.

 

Não sendo psicóloga, ou coisa parecida, aventuro-me, ainda assim, a propor uma resposta à questão que parece inquietar muitos: afinal de contas, por que é que pintar nos acalma? 

 

Diria que, tal como outras formas de arte, pintar e/ou desenhar exige total concentração e paciência. Há todo um ritual envolvido na escolha dos pincéis, na mistura das tintas, nos tons dos lápis de cor. Um desenho ou um quadro não são instantâneos. (Pelo menos por enquanto) ainda não é possível fazer download de telas com o trabalho que imaginámos já concluído, sem precisarmos de mexer um dedinho.

 

Além disso, enquanto crianças, pelo menos durante a minha geração, éramos incentivados a pintar e a desenhar. Para aprender a tocar piano são necessários anos, mas para "fazer rabiscos" estamos todos mais ou menos habilitados. Sim, existiam (e ainda existem) métodos exageradamente severos quanto a "sair fora da linha". Na escola primária fui ensinada a pintar de uma certa forma e a desenhar de uma determinada maneira, mas, ainda assim para muitos miúdo, como eu, colorir não deixava de ser uma actividade divertida.

 

E então, por que é que os livros de colorir são tão populares?

Como já vimos, seja para adquirir motricidade fina, ou para levar a que se inscrevam todos em Belas-Artes, na escola, os miúdos são incentivados a pintar.

Depois, a actividade de pintar é efectivamente relaxante. Colorir implica ficarmos absorvidos numa atmosfera onde tudo acontece lentamente e cada cor consiste numa decisão ponderada. O que, a meu ver, contrasta com os padrões de instantaneidade e rapidez do mundo contemporâneo. 

 

que é que eu concluo de tudo isto? Que os livros de colorir para adultos são completamente inofensivos. Não os acho ridículos. Se for preciso colocar adultos a preencher bonecos dentro das linhas para se lembrarem do que é não ter pensamentos na cabeça, que seja. Na verdade, não há nada que me lembre mais da minha infância. 

SOBRE MIM

Sonhadora a tempo inteiro & blogger em part-time. Adora livros, antiguidades e flores na cabeça. Escreve textos pseudo-românticos quando está para aí virada. É fã de dançar ballet na cozinha e cantar no chuveiro. O seu pé direito insiste em ser torto e não há como o emendar. Nunca diz que não a uma chávena de chá.
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