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Sweet Stuff

"Who in the world am I? Ah, that's the great puzzle!"

Quando eu digo que não vejo, é porque não vejo (ou hipocrisia para totós).

Sentem-se na vossa cadeirinha, bebam um chá e preparem-se para a tortura moralista que vão receber da minha parte. Por que é as pessoas gostam de se sentir superiores e ostracizar o popularacho se, no final de contas, também vêem, também comem, também gostam?

 

Há muitos anos que deixei de comer McDonalds (força arrasem aí com os comentários pró-happy meal). Não andei a pregar aos peixes o porquê da minha escolha. Quando me perguntam directamente a razão digo, com toda a sinceridade do mundo, que não considero aquilo comida e, sinto-me melhor a comer em qualquer outro local.

 

Oiço muitos a dizer: "Ah fazes bem, EEEEEU também nunca lá vou, aquilo é um horror". Claro que estas pessoas são aquelas que persistem em perguntar-me se quero ir ao Mac com elas e "vá lá uma vez não faz mal". Não censuro quem coma lá, mas será assim tão difícil perceber que quando eu digo que não como, é porque não como? Tomei essa decisão há muito, não por achar que sou muito verde e superior e acima dos comuns mortais, simplesmente sinto-me melhor assim. 

O mesmo se aplica a programas de televisão. Lembro-me de quando passava a Casa dos Segredos (não sei se ainda passa ou não), toda a gente fazer comentários maldosos sobre a fraca qualidade da grelha televisiva portuguesa. Mais tarde perguntavam-me o que eu achava do acontecimento x ou y e o que a Maria Albertina tinha dito era tamanha burrice, etc. Quando eu digo que não vejo, é porque não vejo. Se acham o programa assim tão mau, por que é que ficam a acompanhar a mexiriquice? 

 

Felizmente, neste país, as pessoas têm escolha. Chega de andar a maldizer disto e daquilo se depois gostam de ver. Se gostam de ver ASSUMAM. Se gostam de comer ASSUMAM. Hipocrisia é que não. 

Do esquecimento ao abandono

Senti saudades de escrever algo sem inserir uma referência bibliográfica ou citar um autor alheio. Deixei este blog de molho, mas este mês de pausa fez-me relembrar como no início eu escrevia despretensiosamente para uma audiência invisível. E,cada vez mais, planeando os posts, essa espontaneidade da escrita foi-se perdendo. Não quero perder isso. Não quero deixar de escrever tudo e apontar tudo e estar atenta e presente e não a pensar no trabalho e a ter ataques de ansiedade e noites em branco. Isto não é uma nota feliz de regresso à blogosfera, apenas um aviso a mim própria para fazer aquilo que sempre fiz, sem necessitar de aprovação exterior: escrever. 

Imagem de bow, pink, and typewriter

Se eu fosse um livro...

Seria com certeza um belo exemplar. Encadernação robusta, de capa dura, cantoneiras medievais e lombada com letras douradas. Seria um pouco pesado de carregar, mas os meus donos são se importariam de me levar para onde quer que fossem. Teria um lugar de destaque na estante da sala de estar, ou do quarto, ou talvez da biblioteca municipal. 

O meu corpo seria estimado. Ninguém passaria dedos com saliva nas minhas páginas e todos se lembrariam de me limpar o pó. 

Se eu fosse um livro, saberia guardar segredos. Esconderia pequenas cartas de amor, bilhetes de comboio esquecidos e rosas secas, por abrir. Saberia ouvir e por muito tempo escutaria o pranto daqueles que me leram, as dúvidas que tiveram e os seus incessantes porquês. Seria um porto seguro, um local de conforto. Pelo menos é assim que gosto de imaginar. 

Se eu fosse um livro, adoraria cada momento em que fosse lido, cada mão que por mim passasse (quer fossem de jovens belas ou de velhos resmungões). 

E quando a história acabasse e eu fosse, de novo, colocado na prateleira, esperaria ansiosamente. Cada segundo de cada minuto. Para que uma nova mão em mim pegasse e a vida de alguém se alterasse. Para sempre.

 

Imagem de book, end, and the end

 

Obrigada à Sandra por me ter passado esta tag! Quem quiser fazer, esteja à vontade.

Vantagens de ser um 38/39

As pessoas com pés mais piquenos, pelos vistos, gostam de me oferecer sapatos!

Uma senhora querida que anda comigo no ballet encomendou umas sapatilhas (para quem me lê do Norte: falo de meias-pontas, não de ténis) para ela pela internet, mas quando as recebeu é que se apercebeu de que eram muito grandes. Diz-me ela assim: "Lembro-me de te teres queixado de que tinhas os pés grandes, se quiseres fica com elas..."

E é isto gente. O Martin Luther King Jr. é relembrado por ter um sonho. Eu serei recordada como a miúda dos pés grandes. Zero shame.

 

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Toda eu uma lamechas de primeira

Quando o meu cérebro decide que chega de trabalho e vamos mas é procrastinar, ponho-me a ouvir discursos dos Óscares (não importa de quem sejam) e começo (quase sempre) a emocionar-me tolamente e a soluçar que nem uma Madalena perdida.

Sou a única? A sério? Ok vou só ali para o cantinho da vergonha.

Post lamechas em 3,2,1...

Estou com uma dor de cabeça daquelas e sem grande inspiração para escrever mas, não queria deixar de dizer algumas palavras neste último dia de 2016, um ano que me deu tanto...

 

Em 2016 li trinta e seis livros maravilhosos

Fui a Sintra no meu aniversário

Usei vestidos com flores

Dancei com a minha mãe

e com o meu ruivo

e sozinha no meu quarto quando tudo parecia dar errado,

cozinhei bolos e biscoitos (e sim coisas menos doces também)

Tive uma salva de palmas de uma sala cheia

Chorei

com a morte de quem muito gostava

mas aprendi a levantar-me 

Ainda tenho saudades mas desta vez virei a dor para fora e quero acreditar que já não dói tanto

Também ri. Ri muito. Das palhaçadas mais escabrosas do meu grupo fantástico

Usei vestidos plissados num dia bonito de Abril

Andei descalça na areia do Algarve

Subi a castelos

Ia quase morrendo de calor em Idanha

Fugi das sanguessugas no lago

e também escapei imune aos incêndios

Ouvi os meus vinis preferidos no meu gira-discos azul

Pintei as unhas de vermelho para uma entrevista que nunca aconteceu

Impressionando-me a mim própria não fiquei chateada com isso

Cortei o cabelo duas vezes. 

(Vamos esquecer que esse segundo corte existiu)

Escrevi neste blog. Não tanto como queria mas escrevi fora dele também.

Comi gelados de todos os sabores que mais gosto.

Acordei cedo e também me deitei tarde.

Falei sobre coisas inúteis e extraordinárias.

Ouvi música, muita música

Voltei a ser bailarina

Continuei a ser cantora de chuveiro

ainda grito de vez em quando sem razão

Ainda tomo comprimidos a fazer cara estranha

Ainda tenho muito para aprender

coisas que nem sempre se aprendem nos livros

Vi a minha Lisboa vezes sem conta 

e apanhei framboesas e morangos no quintal

Senti o vento na cara e a chuva na cabeça

e o sol 

o sol a aconchegar-me no Inverno e a queimar-me no Verão

Senti alegria, muita alegria.

E vi pessoas de quem gosto muito

Vivi aventuras em quatro paredes

e fora delas

Tirei fotos com a minha instax

Tive frio

Por vezes um frio gelado daqueles que parece que nunca irá acabar

mas sempre acaba

Apesar de todas as lágrimas ele sempre acaba

e há um cobertor reconfortante e uma chávena de chá à espera no final de um dia horrível

Houve muitos chás

e alguns cobertores

e neles encontrei conforto

e amor

e felicidade

Foi isso que aconteceu este ano

Fui feliz.

 

Bom Ano a todos!

 

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É muito tarde para fazer aquilo de que gostamos?

Toda a minha vida ouvi o seguinte ditado: "de pequenino é que se torce o pepino". O meu pai era grande fã de utilizar esta expressão no que dizia respeito à educação dos seus filhotes. A verdade é que eu e o meu irmão safamo-nos bem. Ainda hoje, cumprimento o senhor do autocarro todos os santos dias mesmo sabendo que ele provavelmente não irá responder (prova viva de que a educação que tive serviu para alguma coisa).

 

Há uns tempos pus-me a reflectir sobre este ditado, mais concretamente sobre a questão de existirem determinadas coisas que temos de aprender em pequenos e, se assim não for, estamos lixados, nem vale a pena tentarmos em adultos. O ballet é uma dessas coisas certo? Esta menina tão pequenina quer ser bailarina assim começa o poema da Cecília Meireles que tanto preencheu a minha infância (e as fichas de avaliação de Língua Portuguesa, os meus profs adoravam a moça!). Mas e se a menina for grande? Será que ainda pode ser bailarina?

 

Quando eu tinha nove anitos increvi-me no ballet pela primeira vez. No entanto acabei por desistir das aulas passado algum tempo, porque sentia-me desconfortável com aquela professora. Não me estava a divertir, não gostava daquelas miúdas que não eram minhas amigas e a cada dia que passava ia perdendo a motivação. 

 

O bichinho do ballet nunca chegou a desaparecer, ficou sempre lá. Ainda hoje quando estou sozinha em casa ponho a soundtrack da Amélie a tocar (ou um Tchaikovskyzinho quando quero parecer mais profissional) e voo pela cozinha (não ainda não parti nada com as minhas piruetas graçasaDeus).

 

A minha visão sobre o ditado do pepino e aquilo que me foi ensinado durante toda a minha vida mudou no momento em que, como quem não quer a coisa, googlei: "escolas de ballet para adultos". Fiz aulas experimentais em duas escolas na última semana e já escolhi o local onde vou ficar. Descobri uma óptima escola que dá iniciação de ballet para adultos com pouca ou nenhuma experiência em dança. Sim, em adulta, após anos sem pisar uma academia de dança, vou perseguir a minha paixão de fazer ballet. E não podia estar mais feliz.

 

“And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music.”

― Friedrich Nietzsche

*Um dos meus preferidos de Degas, Trois danseuses, 1873, óleo sobre tela*

 

ABOUT ME

Sonhadora a tempo inteiro & blogger em part-time. Adora livros, antiguidades e flores na cabeça. Escreve textos pseudo-românticos quando está para aí virada. É fã de dançar ballet na cozinha e cantar no chuveiro. O seu pé direito insiste em ser torto e não há como o emendar. Nunca diz que não a uma chávena de chá.
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