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Sweet Stuff

"Who in the world am I? Ah, that's the great puzzle!"

Se eu fosse um livro...

Seria com certeza um belo exemplar. Encadernação robusta, de capa dura, cantoneiras medievais e lombada com letras douradas. Seria um pouco pesado de carregar, mas os meus donos são se importariam de me levar para onde quer que fossem. Teria um lugar de destaque na estante da sala de estar, ou do quarto, ou talvez da biblioteca municipal. 

O meu corpo seria estimado. Ninguém passaria dedos com saliva nas minhas páginas e todos se lembrariam de me limpar o pó. 

Se eu fosse um livro, saberia guardar segredos. Esconderia pequenas cartas de amor, bilhetes de comboio esquecidos e rosas secas, por abrir. Saberia ouvir e por muito tempo escutaria o pranto daqueles que me leram, as dúvidas que tiveram e os seus incessantes porquês. Seria um porto seguro, um local de conforto. Pelo menos é assim que gosto de imaginar. 

Se eu fosse um livro, adoraria cada momento em que fosse lido, cada mão que por mim passasse (quer fossem de jovens belas ou de velhos resmungões). 

E quando a história acabasse e eu fosse, de novo, colocado na prateleira, esperaria ansiosamente. Cada segundo de cada minuto. Para que uma nova mão em mim pegasse e a vida de alguém se alterasse. Para sempre.

 

Imagem de book, end, and the end

 

Obrigada à Sandra por me ter passado esta tag! Quem quiser fazer, esteja à vontade.

Vantagens de ser um 38/39

As pessoas com pés mais piquenos, pelos vistos, gostam de me oferecer sapatos!

Uma senhora querida que anda comigo no ballet encomendou umas sapatilhas (para quem me lê do Norte: falo de meias-pontas, não de ténis) para ela pela internet, mas quando as recebeu é que se apercebeu de que eram muito grandes. Diz-me ela assim: "Lembro-me de te teres queixado de que tinhas os pés grandes, se quiseres fica com elas..."

E é isto gente. O Martin Luther King Jr. é relembrado por ter um sonho. Eu serei recordada como a miúda dos pés grandes. Zero shame.

 

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Toda eu uma lamechas de primeira

Quando o meu cérebro decide que chega de trabalho e vamos mas é procrastinar, ponho-me a ouvir discursos dos Óscares (não importa de quem sejam) e começo (quase sempre) a emocionar-me tolamente e a soluçar que nem uma Madalena perdida.

Sou a única? A sério? Ok vou só ali para o cantinho da vergonha.

Post lamechas em 3,2,1...

Estou com uma dor de cabeça daquelas e sem grande inspiração para escrever mas, não queria deixar de dizer algumas palavras neste último dia de 2016, um ano que me deu tanto...

 

Em 2016 li trinta e seis livros maravilhosos

Fui a Sintra no meu aniversário

Usei vestidos com flores

Dancei com a minha mãe

e com o meu ruivo

e sozinha no meu quarto quando tudo parecia dar errado,

cozinhei bolos e biscoitos (e sim coisas menos doces também)

Tive uma salva de palmas de uma sala cheia

Chorei

com a morte de quem muito gostava

mas aprendi a levantar-me 

Ainda tenho saudades mas desta vez virei a dor para fora e quero acreditar que já não dói tanto

Também ri. Ri muito. Das palhaçadas mais escabrosas do meu grupo fantástico

Usei vestidos plissados num dia bonito de Abril

Andei descalça na areia do Algarve

Subi a castelos

Ia quase morrendo de calor em Idanha

Fugi das sanguessugas no lago

e também escapei imune aos incêndios

Ouvi os meus vinis preferidos no meu gira-discos azul

Pintei as unhas de vermelho para uma entrevista que nunca aconteceu

Impressionando-me a mim própria não fiquei chateada com isso

Cortei o cabelo duas vezes. 

(Vamos esquecer que esse segundo corte existiu)

Escrevi neste blog. Não tanto como queria mas escrevi fora dele também.

Comi gelados de todos os sabores que mais gosto.

Acordei cedo e também me deitei tarde.

Falei sobre coisas inúteis e extraordinárias.

Ouvi música, muita música

Voltei a ser bailarina

Continuei a ser cantora de chuveiro

ainda grito de vez em quando sem razão

Ainda tomo comprimidos a fazer cara estranha

Ainda tenho muito para aprender

coisas que nem sempre se aprendem nos livros

Vi a minha Lisboa vezes sem conta 

e apanhei framboesas e morangos no quintal

Senti o vento na cara e a chuva na cabeça

e o sol 

o sol a aconchegar-me no Inverno e a queimar-me no Verão

Senti alegria, muita alegria.

E vi pessoas de quem gosto muito

Vivi aventuras em quatro paredes

e fora delas

Tirei fotos com a minha instax

Tive frio

Por vezes um frio gelado daqueles que parece que nunca irá acabar

mas sempre acaba

Apesar de todas as lágrimas ele sempre acaba

e há um cobertor reconfortante e uma chávena de chá à espera no final de um dia horrível

Houve muitos chás

e alguns cobertores

e neles encontrei conforto

e amor

e felicidade

Foi isso que aconteceu este ano

Fui feliz.

 

Bom Ano a todos!

 

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É muito tarde para fazer aquilo de que gostamos?

Toda a minha vida ouvi o seguinte ditado: "de pequenino é que se torce o pepino". O meu pai era grande fã de utilizar esta expressão no que dizia respeito à educação dos seus filhotes. A verdade é que eu e o meu irmão safamo-nos bem. Ainda hoje, cumprimento o senhor do autocarro todos os santos dias mesmo sabendo que ele provavelmente não irá responder (prova viva de que a educação que tive serviu para alguma coisa).

 

Há uns tempos pus-me a reflectir sobre este ditado, mais concretamente sobre a questão de existirem determinadas coisas que temos de aprender em pequenos e, se assim não for, estamos lixados, nem vale a pena tentarmos em adultos. O ballet é uma dessas coisas certo? Esta menina tão pequenina quer ser bailarina assim começa o poema da Cecília Meireles que tanto preencheu a minha infância (e as fichas de avaliação de Língua Portuguesa, os meus profs adoravam a moça!). Mas e se a menina for grande? Será que ainda pode ser bailarina?

 

Quando eu tinha nove anitos increvi-me no ballet pela primeira vez. No entanto acabei por desistir das aulas passado algum tempo, porque sentia-me desconfortável com aquela professora. Não me estava a divertir, não gostava daquelas miúdas que não eram minhas amigas e a cada dia que passava ia perdendo a motivação. 

 

O bichinho do ballet nunca chegou a desaparecer, ficou sempre lá. Ainda hoje quando estou sozinha em casa ponho a soundtrack da Amélie a tocar (ou um Tchaikovskyzinho quando quero parecer mais profissional) e voo pela cozinha (não ainda não parti nada com as minhas piruetas graçasaDeus).

 

A minha visão sobre o ditado do pepino e aquilo que me foi ensinado durante toda a minha vida mudou no momento em que, como quem não quer a coisa, googlei: "escolas de ballet para adultos". Fiz aulas experimentais em duas escolas na última semana e já escolhi o local onde vou ficar. Descobri uma óptima escola que dá iniciação de ballet para adultos com pouca ou nenhuma experiência em dança. Sim, em adulta, após anos sem pisar uma academia de dança, vou perseguir a minha paixão de fazer ballet. E não podia estar mais feliz.

 

“And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music.”

― Friedrich Nietzsche

*Um dos meus preferidos de Degas, Trois danseuses, 1873, óleo sobre tela*

 

Ode à princesa que ontem fui

Nem tudo são rosas no jardim e borboletas na barriga.

Às vezes também ando com as unhas lascadas de verniz e, sim, às vezes também me cai a coroa da cabeça.

É verdade que por vezes não me apetece levantar. Às vezes caio no chavão – faz o que eu digo não faças o que eu faço – fico deitada ali, não me dês a mão, hoje vou ser egoísta e dizer que nada vale a pena, nem tu que és tudo o que tenho e o melhor de todas as coisas que se vão embora neste Mundo.

 

Hoje vou olhar para as estrelas.

Estão desfocadas e eu esqueci-me de colocar os óculos. E fico um pouco desajeitada porque quando caio em mim até que precisava dessa mão amiga. Engulo o orgulho e procuro o conforto de um abraço. E bem, às vezes nem sempre estás lá. Na verdade, às vezes não está lá ninguém.

 

Mas olha nem faz mal, a sério que não é nada de grave, já sabes a sequência de cor qual equação matemática.

Como uma Cinderela sem sapatinho arrasto-me em lamentos, dando pontapés à coroa que permanece no chão. Cabelo despenteado e sorriso sórdido nos lábios, perco-me na leitura e na música apropriada para estes momentos – aquele jazz que me faz chorar. Danço um slow no chão da cozinha porque também me quero sentir uma estrela de cinema. Falta-me o cálice de vinho para completar a figura, pena nunca ter sido fã do licor dos deuses, ajudava a entrar na personagem. Mas quem quero eu enganar, tu não engano de certeza, sabes como sou personificação da loucura e daqueles dramas dos bons sem precisar da embriaguez a acompanhar-me.

 

Aceitando a minha polaridade pentagonal elevada ao quadrado pego na velha bicicleta de infância e treino embrenhar-me nos caminhos de outros tempos. Já não possuo os joelhos de outrora que me fariam evitar a queda ridícula que acabou de acontecer. Era diferente se estivesses aqui. Ao saberes que tinha chocado contra um veículo estacionado irias-te rir na minha cara e eu acompanhava a gargalhada dada a minha triste figura. Sem as tuas sardas bonitas por perto fica só aquele riso nervoso que antecipa a solidão e me lembra que já não tenho sete anos e abrir o joelho no alcatrão não é nada encantador.

 

Volto para casa e deito o capacete para cima da cama, levo sempre capacete porque a minha avó dizia que devíamos manter a cabeça no sítio e eu achava que aquele objecto semelhante ao dos astronautas poderia ajudar. Sem a ajuda do capacete lunar, por muito irónico que pareça, estou sempre nas nuvens, flutuando, e, de vez em quando, cabelo emaranhado, calças de ganga para aquele ar de não quero nada contigo, flores no cabelo porque é feminino e eu gosto de me lembrar que um dia fui uma criança, volto a conseguir sorrir de mim mesma. E ainda que já não estejas aqui levanto-me do chão e volto-me a deitar, para me levantar novamente e mostrar a mim mesma como pode ser fácil.

 

Quase sem reparar volto a ser uma princesa, quem sabe um dia ainda seja a rainha do teu reino. Desculpa meu amor devia ter aceitado que entrelaçasses a tua mão e me puxasses para cima. Como que numa miragem vejo-te a rebolar na areia e sorrio. Olho para a água e admiro o meu reflexo. Uma coroa ergue-se na minha delicada cabeça.

 

*Yay um viva à inspiração (que me surgiu ao olhar para as minhas unhas lascadas de verniz)*

I'm not living, I'm just killing time

Onde eu acabo e tu começas.

Posso viver nesse espaço?

Deixas-me viver nesse local de tortura? Por favor deixa-me provocar este acto insano.

Não tenho mais nada para lutar, a não ser por esse sorriso louco de gato Cheshire.

Não estou a viver, limito-me a passar o tempo.Por isso deixa-me perder tudo de uma vez.

Ensinaste-me a jogar xadrez lembraste?

Sacrifiquei a Rainha porque, era só um jogo. Era só um jogo, mas era contigo e eu tinhas as peças brancas e tu as negras, mas depois já não havia peça nenhuma, peça alguma, só um tabuleiro. E eu saltei cada casa à tua procura. Não estavas lá.

Onde é esse lugar? Onde eu começo e tu acabas? Tens de me mostrar esse terceiro mundo louco, essas flores no pulmão, esse jardim que tens no peito que regas em lágrimas. 

Fiquei perdida pelo meio,

no limbo,

não sonho nem estou acordada,

não estou, nem sou,

nem branco nem negro,

limito-me a ser pisada,

por todos aqueles que ainda passam por aqui,

não chego para secar o teu jardim de lágrimas,

nem tu chegas até mim.

ABOUT ME

Sonhadora a tempo inteiro & blogger em part-time. Adora livros, antiguidades e flores na cabeça. Escreve textos pseudo-românticos quando está para aí virada. É fã de dançar ballet na cozinha e cantar no chuveiro. O seu pé direito insiste em ser torto e não há como o emendar. Nunca diz que não a uma chávena de chá.
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