Leio sempre os rótulos de tudo e mais alguma coisa, por causa disso sou aquela pessoa chata que demora horas no supermercado. (A sério, não queiram ir às compras comigo)
A minha mãe, por outro lado, é aquela pessoa que um dia comprou anti-calcário para a máquina de lavar roupa em vez de pastilhas para a máquina da louça e não reparou em nada.
Desde que comecei a fazer ballet deparei-me (como seria de esperar) com várias dificuldades.
No entanto, aquela que mais persiste é sem dúvida a posição das mãos e dos braços. É tão difícil fazer com os movimentos dos meus braços e mãos pareçam fluídos em vez de robóticos. Tenho tentado combater a minha falta de formação mais técncia fazendo pesquisa e procurando livros sobre ballet. Aos poucos chego lá.
Sentem-se na vossa cadeirinha, bebam um chá e preparem-se para a tortura moralista que vão receber da minha parte. Por que é as pessoas gostam de se sentir superiores e ostracizar o popularacho se, no final de contas, também vêem, também comem, também gostam?
Há muitos anos que deixei de comer McDonalds (força arrasem aí com os comentários pró-happy meal). Não andei a pregar aos peixes o porquê da minha escolha. Quando me perguntam directamente a razão digo, com toda a sinceridade do mundo, que não considero aquilo comida e, sinto-me melhor a comer em qualquer outro local.
Oiço muitos a dizer: "Ah fazes bem, EEEEEU também nunca lá vou, aquilo é um horror". Claro que estas pessoas são aquelas que persistem em perguntar-me se quero ir ao Mac com elas e "vá lá uma vez não faz mal". Não censuro quem coma lá, mas será assim tão difícil perceber que quando eu digo que não como, é porque não como? Tomei essa decisão há muito, não por achar que sou muito verde e superior e acima dos comuns mortais, simplesmente sinto-me melhor assim.
O mesmo se aplica a programas de televisão. Lembro-me de quando passava a Casa dos Segredos (não sei se ainda passa ou não), toda a gente fazer comentários maldosos sobre a fraca qualidade da grelha televisiva portuguesa. Mais tarde perguntavam-me o que eu achava do acontecimento x ou y e o que a Maria Albertina tinha dito era tamanha burrice, etc. Quando eu digo que não vejo, é porque não vejo. Se acham o programa assim tão mau, por que é que ficam a acompanhar a mexiriquice?
Felizmente, neste país, as pessoas têm escolha. Chega de andar a maldizer disto e daquilo se depois gostam de ver. Se gostam de ver ASSUMAM. Se gostam de comer ASSUMAM. Hipocrisia é que não.
Senti saudades de escrever algo sem inserir uma referência bibliográfica ou citar um autor alheio. Deixei este blog de molho, mas este mês de pausa fez-me relembrar como no início eu escrevia despretensiosamente para uma audiência invisível. E,cada vez mais, planeando os posts, essa espontaneidade da escrita foi-se perdendo. Não quero perder isso. Não quero deixar de escrever tudo e apontar tudo e estar atenta e presente e não a pensar no trabalho e a ter ataques de ansiedade e noites em branco. Isto não é uma nota feliz de regresso à blogosfera, apenas um aviso a mim própria para fazer aquilo que sempre fiz, sem necessitar de aprovação exterior: escrever.