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Sweet Stuff

Neste blog fala-se sobre livros, viagens, ballet e muito mais.

Qua | 28.02.18

Acabar um livro ou não: eis a questão

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Fonte da imagem

Para mim, ler foi sempre uma fonte inesgotável de entretenimento. Nunca me foi negado acesso à literatura, tive o meu primeiro cartão da biblioteca aos onze anos e com certeza que a minha vida seria muito menos risonha sem o prazer que encontro, desde pequena, na  leitura. É verdade que tive de ler "por obrigação" em contexto académico, mas, ainda assim, nunca deixei de gostar de ler.

 

A primeira vez que me lembro de não ter conseguido terminar um livro foi quando tinha os meus doze/treze anos. Não conseguia entrar naquele mundo, nem conectar-me com as personagens. Deixei o livro de lado e segui com a minha vida. Simples, certo?

 

A verdade é que, para mim, a questão: devemos acabar de ler todos os livros que começamos? é um dilema daqueles mesmo complexos. À primeira vista pode parecer absurdo forçarmo-nos a ler algo de que não estamos a gostar. No entanto, comecei a notar que, nas raras vezes em que me surge a vontade de desistir de um livro, começo sempre por me culpabilizar. Serei demasiado inculta por não entender este autor que todos adoram? Já li outro deste escritor que adorei, por que é que não gosto deste? Já estou a meio, o que me custa agora acabar?

 

Tentei entender as causas por detrás do meu desentusiasmo com o livro Blind Willow, Sleeping Woman do Murakami. É uma colectânea de contos pela qual me fui desinteressando gradualmente. Dos primeiros ainda gostei, mas à medida que ia avançando ia perdendo cada vez mais a vontade de ler. Após alguma reflexão apercebi-me de que era simplesmente estúpido estar a tentar ler só porque tinha gostado da metáfora x na história y ou de outro livro que tinha lido do autor.

 

Se também levam a desistência de livros demasiado a sério (como eu) pensem apenas no seguinte : a vida é demasiado curta para lermos livros de que não gostamos. Não interessa se é um clássico ou um romance de cordel, se não está a ser uma experiência agradável é perfeitamente válido não terminar o livro. Por agora os meus tempos de masoquismo literário terminaram, talvez daqui uns tempos faça as pazes com o Murakami.

Sab | 17.02.18

Actors on Actors: ver Hollywood à lupa

Actors on Actors é uma série de vídeos do canal de Youtube da Variety que consiste, como o nome indica, em entrevistas onde dois actores fazem perguntas um ao outro.

 

Para quem gosta de cinema, é uma oportunidade perfeita para conhecer Hollywood à lupa, enquanto as estrelas nos mostram o que é estar nos bastidores, a preparação para entrar nas personagens, como chegaram onde estão hoje, entre outros assuntos interessantes.

 

A título de exemplo deixo abaixo um dos vídeos com dois dos meus actores preferidos: Dev Patel e Octavia Spencer. 

Sex | 16.02.18

Quadros ganham vida | Misty Copeland & Degas

Misty Copeland (a primeira prima-bailarina negra na ABT - American Ballet Theater) recriou, em 2016, alguns dos mais icónicos quadros do mundo: as bailarinas de Degas. 

 

  L'étoile (ou La danseuse sur scène), 1876

 

The Dance Studio, 1878

 

Danseuse basculant (Danseuse verte), 1879

 

La Petite Danseuse de Quatorze Ans, 1881

 

O que acho incrível nestas fotografias é que os próprios quadros de Degas já nos dão a ilusão de movimento. Vê-los ganhar ainda mais vida através desta bailarina é simplesmente incrível. No vídeo abaixo podem ver detalhes sobre a sessão fotográfica que saiu na Harper's Bazaar em Março de 2016.

 

Fotos: Ken Browar e Deborah Ory

 

 "I definitely feel like I can see myself in that sculpture...

Ballet was just the one thing that brought me to life."

 

Qui | 15.02.18

Vejam "A Forma da Água"

A história começa assim: o Jean-Pierre Jeunet e o Steven Spielberg entram num bar...e sai de lá uma pérola: A Forma da Água de Guillermo del Toro. 

No laboratório secreto de alta segurança do governo onde trabalha, a solitária Elisa (Sally Hawkins ) está presa numa vida de isolamento. A vida de Elisa muda para sempre quando ela e a sua colega Zelda (Octavia Spencer) descobrem uma experiência secreta.

 

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Ainda no rescaldo de ter visto este filme há dois dias, aviso já que este post pode ser meio incoerente e eufórico q.b., mas não altero a minha opinião de que todos deviam ver A Forma da Água

Do reportório filmográfico de Del Toro, que me lembre, vi apenas o Labirinto do Fauno: gostei, mas não adorei particularmente (admito que também já lá vão uns anitos). No entanto, este último trabalho do realizador conquistou-me o coração.

 

Fui ao cinema, porque já não ia há imenso tempo e apetecia-me arejar um bocadinho. Vi em casa o que estava em cartaz e a sinopse deste despertou-me a atenção. Zero expectativas. Saí da sala de cinema com o coração apertado e aquela vontade de que o filme voltasse ao início e pudesse ver tudo novamente.  

 

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É um pouco difícil explicar por que é que este filme é maravilhoso, dado que adorei tudo (mas vá, eu tento).

Em primeiro lugar: a cenografia, os ângulos, a caracterização: A maneira como a vida de Elisa é retratada, a par da música de Desplat e do filtro meio amarelo, fez-me lembrar os filmes do Jean-Pierre Jeunet como a  Amélie. A própria Elisa lembra-me um pouco a Amélie: uma heroína tímida e atípica, mas com uma curiosidade que a leva a outros mundos.

 

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Depois temos um argumento original incrível: nada na experiência secreta parece pouco natural ou forçado. Os elementos de "ficção científica" encaixam perfeitamente na história e não surgem como uma situação absurda.

Existem, também, outros detalhes que falam mais alto (para mim pelo menos): tendo em conta que o filme se passa num cenário de Guerra Fria existem personagens que fazem papel de soviéticos. Pelos vistos o Guillermo del Toro teve daquelas ideias fantásticas: Em vez de colocarmos actores americanos a falar com sotaque russo que tal colocá-los realmente a falar russo? Aleluia! Que às vezes esta estratégia do colocar-a-falar-com-sotaque-ridículo-em-vez-de-falar-a-própria-língua-porque-dá-muito-trabalho só me lembra o Brad Pitt no Sacanas sem Lei.

 

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A prestação de Sally Hawkins é simplesmente cativante (ganha-me esse óscar miúda!) e a mensagem do filme é intemporal. O amor, tal como a água, está em todo o lado. Adapta-se a qualquer forma e as maneiras em que surge e os corpos em que se molda são, muitas vezes, o menos importante.

"Unable to perceive the shape of You,

I find You all around me.

Your presence fills my eyes with Your love, It humbles my heart,

For You are everywhere..."

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