COMEÇAR OUTRA VEZ E OUTRA VEZ E OUTRA VEZ
Puxar os estores e ver que está sol lá fora, ou chuva, ou só nublado. Sentir as folhas no chão, o ar húmido, o vento a incomodar os ouvidos destapados. Pessoas a andar rápido, perdidas num ecrã, ou paradas, a tirar fotos. Edifícios e árvores e ruas e estradas, lojas e turistas, comerciantes, carteiristas. Achar que já se viveu tudo. Perceber que isso é um disparate. Voltar a sentir como se fosse a primeira vez. Chorar, ficar zangada, rir e ver sorrir. Bebés e carrinhos e velhotes de mãos dadas. Chegar a casa cansada. Compreender que amanhã não é igual, nem garantido. Respirar fundo. Começar outra vez e outra vez e outra vez.

Sonhadora a tempo inteiro e blogger em part-time.
Adora livros, antiguidades e flores na cabeça. Escreve textos pseudo-românticos quando está para aí virada. É fã de dançar ballet na cozinha e cantar no chuveiro. O seu pé direito insiste em ser torto e não há como o emendar.
Nunca recusa uma chávena de chá.






