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Sweet Stuff

livros, música e desabafos vários.

Sex | 09.01.26

O MEU ANO EM LIVROS 📖

os favoritos de 2025

Olá, olá e bem-vindxs a 2026! Como já vem sendo habitual, começo o ano a falar sobre os livros que mais gostei de ler no ano anterior. 2025 foi atípico para mim em termos de leituras, no sentido em que li muito menos e estive longos períodos em que não me conseguia entusiasmar com nada. Ainda assim, fiz algumas releituras certeiras e descobri novos favoritos: hooray! Sem mais demoras, eis os meus livros favoritos de 2025. 

 

Harri Peccinotti - Nova Magazine (1973)

Harri Peccinotti - Nova Magazine (1973)

 

The Lonely City, Olivia Laing

The Lonely City foi-me recomendado por uma amiga de longa data algures entre 2021-2022, mas foi preciso eu mudar de país para sentir o ímpeto de finalmente lhe pegar. Nele, Laing propõe-se a fazer um retrato da solidão citadina e urbana a que tantos de nós estamos habituados, entrecosendo as suas próprias experiências de alienamento com a história de artistas que palmearam as ruas de Nova Iorque. É um livro incrivelmente bem escrito, com um olhar astuto, curioso e terno sobre o eterno desejo humano de conexão. 

 

Lisboa Clichê, Daniel Blaufuks

Prendinha de Natal atrasada, este volume do Daniel Blaufuks estava na minha wishlist há muito tempo. Que consolo foi lê-lo num início de Primavera em que as saudades de casa se fundiam a um cansaço profundo. É um conjunto de fotografias e memórias de uma Lisboa que já não existe, a do final dos anos 80. É também uma meditação sobre o legado dessa mesma cidade e a marca que um lugar a que chamamos nosso deixa na nossa geografia emocional. Um livro belo. 

 

Sister Outsider, Audre Lorde

Talvez a mais perfeita colecção de ensaios alguma vez escrita. Se ainda não chegaram a Audre Lorde, por favor, parem tudo o que estão a fazer e peguem neste livro. Li no original, mas está editado cá pela Orfeu Negro com uma cuidada tradução da Gisela Casimiro (e a capa é muito linda). Uma obra em que Lorde articula os seus pensamentos e reflexões sobre feminismo, interseccionalidade e justiça social de uma forma verdadeiramente soberba. Leiam, partilhem, leiam outra vez. 

 

Kitchen, Banana Yoshimoto

Em Abril, uma amiga muito querida (L. adoro-teeee) emprestou-me este livro. Não só já estava na minha lista há muito tempo, como acabou por se tornar um novo favorito da vida. Uma novela sobre luto, amor e cozinhas que explora o papel afectivo da comida e o quão crucial ele é na formação da nossa identidade e na preservação de memórias. A escrita, não sendo rebuscada, é verdadeiramente literária, cada frase na medida certa, contendo tudo o que é preciso, como se de uma receita se tratasse. Uma jóia.

 

Propaganda, Joana Estrela

Há livros que contêm pormenores com os quais nos identificamos de uma forma tão absurda que surge uma vontade de telefonar a quem os escreveu só para partilhar esse facto. Foi isso que senti com este diário da Joana Estrela, escrito originalmente em Inglês, e que relata o período de um ano em que a autora e ilustradora fez voluntariado numa associação LGBTQ+ na Lituânia. É uma obra que continua a ser pertinente nos dias de hoje e que contém o estilo de ilustração característico da autora, que tanto me agrada. 

 

The Details, Ia Genberg

Influenciada pela descrição que o Jack Edwards fez deste livro, fui requisitá-lo à biblioteca e gente, que boa decisão. Em The Details (traduzido cá como Os Detalhes) uma mulher febril relembra cinco pessoas importantes na sua vida, cada uma dando nome a um capítulo diferente da obra. Tal como o título sugere, o segredo está nos detalhes. É uma história que, na sua aparente banalidade, faz-nos reflectir sobre o que significa ser humano: amar, sofrer, ter arrependimentos e escolher (ou não) perdoar.

 

BFFs, Anahit Behrooz

Sabem quando um livro é tão bom que não conseguem parar de falar sobre ele? Pois bem, é o caso do BFFs da Anahitz Behrooz. Li-o em Outubro, no rescaldo de uma viagem agridoce, e foi um bálsamo para a alma. Neste volume da colecção inklings, Behrooz propõe-se a explorar as potencialidades e desafios da amizade feminina, recorrendo a exemplos de livros, séries e filmes, como Frances Ha e A Amiga Genial. É um ensaio que articula ideias e explora sentimentos com os quais já me debati várias vezes e para os quais me faltavam palavras.

 

Can the monster speak?, Paul B. Preciado

Por fim, mas não menos importante, eis um livro que li em Dezembro e no qual não consigo parar de pensar. Esta obra (originalmente escrita em francês) é o discurso completo que Preciado, filósofo com notáveis contributos para a teoria queer, nunca conseguiu acabar de ler à plateia de 3.500 psicanalistas da Escola da Causa Freudiana em Paris. Percebo que, para alguns, as ideias aqui partilhadas possam não ser nada de novo, mas não pude deixar de me sentir inspirada pelo carácter revolucionário destas palavras e pelo apelo do autor a imaginar um mundo no qual eu gostaria de viver.

 

E por aí, que livros marcaram o vosso 2025? 😊

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